Investment

Análise de Investimento Trimestral – T1 2021

by James Macpherson

“E as obrigações não são o sítio para se estar nestes dias. Acreditam que o rendimento recentemente disponível pago pelas obrigações do tesouro americano a 10 anos – a yield estava em 0,93% no final do ano – caiu 94% face a uma yield de 15,8% em setembro de 1981? Em determinados países grandes e importantes, como a Alemanha e o Japão, os investidores obtiveram uma rentabilidade negativa do investimento em biliões de dólares de dívida soberana. Os investidores em títulos de rendimento fixo – fundos de pensões, seguradoras ou pensionistas – enfrentam um futuro sombrio.”

Warren Buffett, Relatório Anual da Berkshire Hathaway, 1/3/2021

Os mercados acionistas estiveram pujantes nas primeiras seis semanas do primeiro trimestre de 2021 antes de recuarem. De forma mais dramática, verificou-se uma liquidação acentuada nos mercados obrigacionistas. Por exemplo, a yield da dívida soberana americana a 10 anos subiu de 0,91% para 1,74%, enquanto a yield da dívida alemã a 10 anos passou de -0,57% para -0,29%. Tratam-se de movimentos importantes naquilo que são mercados enormes. Além disso, os produtos de base industriais apresentaram um desempenho sólido, especialmente os que estão relacionados com a expansão das infraestruturas das energias renováveis. O debate sobre o investimento foi dominado pela eficiência da distribuição das várias vacinas nos países e pelas preocupações em torno da inflação à medida que as economias começam a reabrir e a responder aos tremendos estímulos introduzidos pelos governos e bancos centrais. Os olhos estarão postos na reação dos mercados obrigacionistas à inflação. Se a reabertura das economias apenas conduzir a uma inflação passageira, os setores que floresceram antes da pandemia deverão continuar a prosperar. Contudo, se a inflação subir mais do que o previsto e mostrar sinais de ser persistente, muitas classes de ativos serão reavaliadas. Os mercados obrigacionistas continuarão a trajetória descendente, tal como os ativos cujo preço é estabelecido a partir das obrigações. Por outro lado, poderá constituir um novo impulso para setores que têm vindo a definhar na última década, como as matérias-primas e o setor financeiro.

Calcula-se que 20 biliões de USD de dívida tenham sido injetados no sistema mundial em 2020 como resposta à crise da Covid. O total da dívida global situa-se agora em 281 biliões de USD, ou seja, 355% do PIB mundial. A escala da intervenção é extraordinária. A despesa per capita com a dívida nos EUA cifrou-se em 12.600 USD no ano passado, o que compara com uma estimativa de 5200 USD gastos ao longo dos oito anos durante o New Deal de Roosevelt nos anos 30. Isto sem considerar o último pacote apresentado pelo Presidente Biden no valor de 1,9 biliões de USD e outro anúncio mais recente a propor um de 3 mil milhões de USD. O pacote de 1,9 biliões de USD contempla o envio de um cheque de 1400 USD para praticamente todas as pessoas no país e prevê enormes investimentos em infraestruturas. Entretanto, o confinamento induziu a um aumento da taxa de poupança e é razoável supor que esta taxa irá recuar quando as pessoas puderem gastar novamente. Se a taxa de poupança regressar ao nível anterior à crise nos EUA, tal libertará um bilião de dólares, isto é, 4,7% do PIB. Este nível de estímulo acentua o risco de inflação. A situação é distinta daquela que se viveu no período após a crise de 2008 quando os bancos se viram obrigados a diminuir os riscos dos seus balanços e a aumentar o peso dos títulos públicos nas suas contas. No âmbito dos enormes programas de flexibilização monetária, os bancos centrais emitiram biliões de dólares que foram absorvidos pelos bancos comerciais o que esterilizou o impacto inflacionista. O dinheiro ficou ocioso em reservas em excesso, prendendo a inflação nos mercados de ativos. Porém, hoje em dia o dinheiro em excesso mora nas contas das famílias e nas contas públicas e está consagrado para despesas. Este dinheiro destina-se à economia real e é muito mais provável que tenha um impacto inflacionista. Além disso, os acontecimentos do último ano significam que muitas empresas evitaram realizar gastos de investimento desnecessários ou manter níveis elevados de existências, pelo que o impacto da procura será imediato. Para além de tudo isto, as tensões comerciais entre os EUA e a China criaram mais pressão com as cadeias de abastecimento a serem afetadas por outros motivos que não os custos. Metade dos chips de semicondutores do mundo são fabricados em Taiwan e, no final do trimestre, o bloqueio acidental do Canal do Suez provocado por um cargueiro evidenciou a fragilidade das linhas de abastecimento. Tal ocorreu quando o mercado espremeu todas as qualidades defensivas dos títulos de rendimento fixo ao empurrar as taxas para níveis extremamente baixos. A citação de Buffet no início deste relatório deve ser vista à luz do facto de que a maioria das poupanças dos consumidores estão associadas ao mercado obrigacionista diretamente ou indiretamente através de ações ou bens imobiliários, cujas valorizações são fortemente influenciadas pela direção das taxas de juro. Não obstante estas preocupações, as empresas continuaram a usufruir de condições benignas. No início de março, a companhia aérea europeia Easyjet conseguiu angariar 1,2 mil milhões de euros em dívida a uma taxa de apenas 1,875%, numa altura em que está a funcionar a apenas 10% da sua capacidade normal.

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