Investment

Gráfico do mês – O mistério da queda dos preços das ações apesar da subida dos resultados

by Pierre Mouton

O mistério da queda dos preços das ações apesar da subida dos resultados

Fonte: Notz Stucki

“Milhões viram a maçã a cair, mas Newton perguntou porquê.”
Bernard Baruch

A Apple e a Nestlé, entre muitas outras ações populares de grande capitalização bolsista, não registaram um bom desempenho desde setembro de 2020, apesar de um mercado em alta e apresentações de resultados favoráveis. Entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021, a Apple desvalorizou perto de 10% e a Nestlé 12%. Embora o elemento mais importante para uma ação apresentar um bom desempenho a longo prazo seja, de longe, o crescimento dos seus resultados, por vezes, a curto prazo, tal não é suficiente para compensar o outro fator mais importante quando se trata dos preços dos ativos em geral: as taxas de juro. Esta relação de amor e ódio entre ações e taxas de juro deverá, em teoria, ser muito simples de avaliar: a queda das taxas de juro é benéfica para as ações dado que amplia os fluxos futuros, enquanto a subida das taxas de juro tem o efeito inverso. Mas isto não tem sido sempre o caso; as populares estratégias de “paridade de risco” apostavam contra a lógica da matemática já que assumiam posições longas nos títulos de rendimento fixo e ações de modo a terem proteção contra uma eventual deterioração das ações graças a supostamente bons rendimentos das obrigações. Mas isto não é o que a matemática nos diz: se o fator de desconto (as taxas de juro) subirem mais, então o preço do seu ativo, considerando que tudo o resto fica igual, desce.

Foi precisamente isto o que aconteceu durante os últimos 6 meses (para algumas cotadas) à medida que o fator de desconto subiu significativamente (a yield a 10 anos dos EUA passou de 0,7% para 1,47% e a yield a 20 anos de 1,24% para 2,15%). Desta vez, a matemática funcionou na perfeição uma vez que as ações de duração longa caíram praticamente em linha com a queda nos preços das obrigações, tal como ilustrado no quadro acima. O rácio price-to-earnings da Apple passou de 34 para 27 vezes os resultados estimados para 2021, enquanto o da Nestlé desceu de 26 para menos de 23. Aqui está a prova de que embora yieldsmais elevadas não afetem realmente o negócio destas empresas, influenciam sem dúvida as suas valorizações. Porém, há setores do mercado acionista que mostram uma correlação invertida face ao que a matemática diz. Primeiro que tudo o financeiro, o setor mais odiado da última década. O aumento das taxas de juro é bom para os bancos e as seguradoras. Em geral, os setores cíclicos tendem a ser ativos de mais curto prazo do que os setores de crescimento e defensivos e, logicamente, apresentam um desempenho superior quando as yields sobem. O desempenho muito bom dos setores cíclicos desde que as taxas de juro começaram a subir foi o motivo pelo qual os índices conseguiram expandir ainda mais. Esta é a razão pela qual uma abordagem equilibrada em termos de setores é importante. Não sabemos se as yields continuarão a subir, estagnar ou descer; mas sabemos que a construção de uma carteira de boas empresas, independentemente dos seus setores, com um bom equilíbrio entre Valor/Crescimento e Cíclicas/Defensivas é seguramente a melhor forma de obter uma rentabilidade apreciável a longo prazo.

 

 

 

 

O desempenho passado não é indicativo de resultados futuros. As opiniões, estratégias e instrumentos financeiros descritos neste documento, podem não ser adequados para todos os investidores. As opiniões expressas são opiniões atuais a partir da (s) data (s) que aparecem apenas neste documento.

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